As dores e as delícias das canetas emagrecedoras
- Marise Berg
- há 5 dias
- 13 min de leitura
Atualizado: há 2 dias

O que você precisa saber antes de usar Ozempic®, Wegovy®, Mounjaro® e outros medicamentos para emagrecimento.
As canetas emagrecedoras deixaram de ser assunto apenas dos consultórios e ocuparam as redes sociais, os grupos de WhatsApp, as conversas entre amigos.
Essa onda também chegou ao meu consultório. Inclusive entre pessoas que, até pouco tempo atrás, buscavam uma alimentação mais natural e evitavam o uso de medicamentos.
Vejo que algumas chegam aliviadas porque, pela primeira vez em muitos anos, deixaram de sentir tanta fome. Outras chegam preocupadas porque já não conseguem comer adequadamente, perderam massa muscular, passaram a conviver com sintomas digestivos ou começaram a se sentir ansiedade sobre que acontecerá quando precisarem interromper o tratamento.
Isso despertou a minha preocupação.
Quando um tratamento recebe investimentos bilionários em divulgação e passa a ser apresentado como solução simples para um problema tão complexo e multifatorial como a obesidade, corremos o risco de olhar apenas para seus benefícios e subestimar seus limites, custos e os cuidados necessários durante o tratamento.
Tenho visto pacientes que se sentiram inicialmente libertadas pela redução da fome. Outras que finalmente conseguiram perder peso depois de anos de tentativas frustradas. Mas também tenho visto pessoas enfrentando efeitos colaterais importantes, dificuldades para comer adequadamente, perda de massa muscular, medo de interromper o tratamento e uma nova relação com a comida que nem sempre é simples de atravessar podendo revelar ou culminar em distúrbios alimentares e de imagem.
É justamente por isso que decidi escrever este texto.
Meu objetivo não é defender nem condenar o uso dessas medicações. É oferecer uma visão integrativa sobre o tema e discutir aspectos que costumam receber menos atenção: a relação entre riscos e benefícios, os custos envolvidos, os efeitos sobre a alimentação, o corpo e a saúde mental. Antes de iniciar um tratamento impulsionado apenas pela promessa de emagrecimento rápido, vale a pena compreender tudo o que ele realmente envolve. Essa é uma conversa que vale a pena acontecer antes da primeira aplicação da medicação e continuar durante todo o tratamento.
Aqui vamos conversar sobre como esses medicamentos funcionam, quais são seus benefícios, seus efeitos adversos, os impactos sobre o comportamento alimentar e por que a escolhas alimentares continuam ocupando um papel central, mesmo quando a fome diminui.
Emagrecer não deve ser a única meta do tratamento. Comer menos não significa, necessariamente, comer melhor, e perder peso não significa ganhar saúde.
Garantir uma alimentação de qualidade, manter um adequado estado nutricional e acompanhar a saúde mental também devem fazer parte dessa abordagem.
Além da terapia medicamentosa, o tratamento precisa incluir mudanças consistentes no estilo de vida, além da alimentação saudável, a prática regular de atividade física e manejo dos aspectos emocionais.
Pois a redução do apetite, a rápida perda de peso, os efeitos adversos gastrointestinais e as alterações no comportamento alimentar podem criar riscos nutricionais, funcionais e/ou psicológicos.
Por isso é indicado o acompanhamento com nutricionista desde a avaliação nutricional, durante e depois do tratamento.
Na minha prática clínica, entretanto, tenho observado um fenômeno preocupante.
No início do tratamento, a maioria dos pacientes reconhece a importância de manter o acompanhamento nutricional. Mas, à medida que a fome diminui e comer passa a exigir menos esforço, muitos abandonam o acompanhamento.
É uma impressão compreensível, mas perigosa. O medicamento facilita comer menos. Ele não ensina a comer melhor.
Quando a alimentação perde qualidade, a ingestão de proteínas, vitaminas e minerais se torna insuficiente, a massa muscular diminui ou surgem efeitos digestivos persistentes, fica evidente que emagrecer e nutrir o organismo são processos diferentes.
Infelizmente, é comum que, diante dessas dificuldades, algumas pessoas abandonem tanto o acompanhamento nutricional quanto a própria medicação. Sem mudanças sustentáveis no estilo de vida, parte do peso perdido tende a retornar, deixando para trás mais uma tentativa fracassada de emagrecimento, acompanhada de um custo financeiro elevado e, de mais uma frustração emocional.
O MECANISMO DE AÇÃO É SIMULTANEAMENTE TERAPÊUTICO E RESPONSÁVEL PELOS EFEITOS ADVERSOS.
Os agonistas do receptor de GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida, representam um dos maiores avanços no tratamento da obesidade. Essas medicações mimetizam a ação de hormônios intestinais, chamados incretinas, que participam da regulação do apetite e do metabolismo da glicose. Elas aumentam a saciedade, reduzem a fome e modificam a resposta cerebral aos alimentos, especialmente aos ultraprocessados e ricos em gordura. Também contribuem para um melhor controle da glicemia por meio de diferentes mecanismos hormonais.
Em média, reduzem a ingestão energética em cerca de 300 kcal por dia, podendo resultar em perdas de aproximadamente 10 a 20% do peso corporal ao longo de um a dois anos de tratamento.
Mas existe um aspecto desse mecanismo que merece atenção.
Essas medicações retardam o esvaziamento do estômago e reduzem a motilidade do sistema digestivo. Esse efeito que faz com que a comida permaneça mais tempo no estômago, aumentando a saciedade e facilitando a redução da ingestão alimentar.
Sob a perspectiva do controle do peso, isso é extremamente interessante.
Sob a perspectiva da saúde digestiva, porém, a conversa fica um pouco mais complexa.
Minha área de atuação é a modulação intestinal e o eixo intestino-cérebro. No dia a dia do consultório, a maior parte das pessoas que me procura já apresenta algum grau de comprometimento digestivo. Síndrome do intestino irritável, dispepsia funcional, refluxo, constipação, distensão abdominal e diferentes graus de disbiose intestinal fazem parte da rotina clínica.
Por isso, minha preocupação com essas medicações é naturalmente maior. Aqui no consultório, a saúde digestiva faz parte da avaliação antes mesmo do início do tratamento.
Quando desaceleramos um sistema digestivo que já vinha funcionando de maneira limitada, é esperado que esses sintomas se intensifiquem.
Náuseas, sensação de estômago cheio por muitas horas, azia, refluxo, eructação (arrotos), flatulência, halitose (mau hálito), distensão abdominal, constipação, diarreia e vômitos persistentes podem dificultar a hidratação e comprometer a ingestão adequada de fontes de proteínas, vitaminas e minerais. Com o passar do tempo, não é raro surgirem manifestações como fadiga, cefaleia e queda de cabelo relacionadas à desnutrição pela baixa ingestão alimentar ou a deficiências nutricionais.
Os estudos clínicos mostram que esses efeitos adversos costumam ser mais intensos durante o aumento da dose, tendem a melhorar na fase de manutenção e, na maioria das pessoas, podem ser minimizados por uma titulação mais lenta da medicação, refeições com menor teor de gordura, boa hidratação e ingestão adequada de fibras.
Essa, porém, não tem sido a minha experiência clínica.
Tenho acompanhado um número crescente de pacientes com desconfortos digestivos importantes. Alguns deles tornam-se incapazes de manter uma alimentação adequada. Outros precisam interromper a medicação porque os efeitos adversos persistem por meses e passam a exigir novos medicamentos para controlar sintomas que antes não existiam.
Também tenho observado um aumento expressivo de pacientes com gastroparesia — uma condição caracterizada pelo esvaziamento muito lento do estômago —, um diagnóstico que praticamente não fazia parte da rotina do consultório. Ainda não sabemos qual será a dimensão desse fenômeno a longo prazo, mas considero prudente que esses sintomas sejam levados muito a sério, especialmente quando persistem.
A questão mais importante não é apenas se o paciente apresentará efeitos colaterais. É compreender quem é esse paciente e qual é a sua capacidade digestiva antes mesmo de iniciar o tratamento.
Se a sua digestão era excelente, provavelmente ela deixará de funcionar da mesma maneira durante o uso da medicação, e esses sintomas precisarão ser manejados com ajustes alimentares, suplementação e, eventualmente, outros medicamentos.
Mas, se você já convivia com refluxo, síndrome do intestino irritável, dispepsia, constipação ou disbiose, o risco de agravamento dos sintomas é muito maior. É justamente nesse grupo de pacientes que considero indispensável um acompanhamento nutricional próximo, capaz de ajustar a alimentação, prevenir deficiências nutricionais e decidir, em conjunto com a equipe clínica, se a dose utilizada continua sendo a mais adequada.
QUAL É A PROMESSA DESSES MEDICAMENTOS?
Essas medicações promovem perdas de peso da ordem de 8 a 9% nos homens e de 14 a 16% nas mulheres ao longo de um a dois anos de tratamento. Esses resultados representam um avanço importante no tratamento da obesidade e podem trazer benefícios metabólicos significativos para muitas pessoas.
Mas é importante compreender exatamente o que esses números significam.
O Wegovy®, por exemplo, apresentou perda média de aproximadamente 15% do peso corporal após 68 semanas, o equivalente a cerca de 17 meses de tratamento. Isso significa que uma pessoa com 100 kg perderia, em média, 15 kg nesse período, cerca de 900 gr por mês, considerando toda a duração do tratamento.
O Ozempic®, por sua vez, apresenta resultados mais modestos quando utilizado para perda de peso, com reduções médias entre 5 e 10% do peso corporal após aproximadamente 20 a 40 semanas de tratamento.
Esses resultados representam médias populacionais. Algumas pessoas respondem muito bem, outras apresentam perdas mais discretas. Cerca de 70 a 85% conseguem perder pelo menos 5% do peso corporal, enquanto 30 a 50% atingem perdas iguais ou superiores a 10%.
Essas terapias foram desenvolvidas para uso prolongado. Os benefícios dependem da continuidade do tratamento e tendem a diminuir quando a medicação é interrompida. Além disso, esses medicamentos atuam sobre mecanismos biológicos relacionados ao apetite e à saciedade, mas não tratam as causas que levaram ao ganho de peso, como o ambiente alimentar, a privação de sono, o sedentarismo, o estresse crônico, o comer emocional ou outros hábitos que sustentam a obesidade.
É justamente por isso que mudanças na alimentação, na atividade física e no estilo de vida continuam sendo indispensáveis, com ou sem medicação.
Apesar da enorme visibilidade nas redes sociais, essas medicações não costumam produzir transformações imediatas. A perda de peso é gradual e varia bastante de uma pessoa para outra.
Antes de iniciar esse tratamento, porém, existe uma pergunta prática que merece tanta atenção quanto a eficácia: você conseguirá sustentá-lo pelo tempo necessário?
QUANTO REALMENTE CUSTA ESSE TRATAMENTO?
Metade dos pacientes abandona o tratamento em 1 ano, mas apenas 18% chegam à meta terapêutica. O maior motivo para deixar o tratamento é o custo.
É comum que se olhe apenas para o preço da caneta. Mas esse é apenas uma parte do investimento.
Dependendo da medicação, o custo mensal pode variar entre cerca de R$ 800 e R$ 1.500. Como se trata de um tratamento de longo prazo, esse valor pode representar entre R$9.600 e R$36.000 ao longo de 1 a 2 anos.
Além da medicação, é importante considerar outros custos que fazem parte de um tratamento seguro e de qualidade:
consultas médicas;
acompanhamento nutricional;
acompanhamento psicológico, especialmente quando existe comer emocional, compulsão alimentar ou sofrimento relacionado ao peso;
exames laboratoriais;
suplementação de proteínas, vitaminas ou minerais;
fitoterápicos ou medicamentos para controlar sintomas digestivos;
prática regular de atividade física, especialmente exercícios de força.
Ou seja, o custo do tratamento vai muito além da medicação.
Esse é um aspecto que merece ser discutido logo no início. Um planejamento financeiro realista aumenta muito as chances de adesão e reduz o risco de interromper o tratamento por dificuldades econômicas ou pela falsa impressão de que "a medicação faria todo o trabalho sozinha".
Mais do que decidir se vale a pena iniciar uma terapia baseada em incretinas, vale a pena perguntar:
"Eu consigo manter esse tratamento da forma como ele realmente precisa ser feito?"
Essa pergunta não diz respeito apenas ao dinheiro. Ela envolve tempo, disponibilidade para consultas, disposição para rever hábitos e compromisso com um cuidado que vai muito além da aplicação semanal da medicação. Existe um custo que não aparece na fatura do cartão de crédito: o empenho necessário para transformar o estilo de vida. Aprender a cozinhar, reorganizar a rotina, praticar atividade física, cuidar do sono, lidar com o estresse e comparecer às consultas exige tempo, energia e dedicação. É justamente esse investimento que aumenta as chances de que os resultados sejam duradouros.
Em outras palavras, as canetas podem reduzir a fome. Mas continuarão sendo as suas escolhas diárias que sustentarão os resultados ao longo do tempo.
O QUE SE SABE SOBRE O REGANHO DE PESO APÓS A INTERRUPÇÃO DO TRATAMENTO?

Esses medicamentos são bastante eficazes durante o uso. No entanto, quando não são acompanhados de mudanças sustentáveis no estilo de vida, parte dos seus benefícios tende a desaparecer após a interrupção do tratamento.
No estudo de extensão do STEP 1, um ano após a interrupção da semaglutida, os participantes recuperaram aproximadamente dois terços do peso que haviam perdido durante o tratamento, além de perderem parte dos benefícios metabólicos conquistados.
Esses resultados reforçam que a obesidade é uma condição crônica e que a suspensão da medicação frequentemente leva ao retorno dos mecanismos que favorecem o ganho de peso.
Isso não significa que o tratamento tenha fracassado.
Os agonistas de GLP-1 podem representar uma excelente oportunidade para interromper um ciclo de sofrimento e criar condições mais favoráveis para implementar mudanças que antes pareciam impossíveis.
Mas essa janela de oportunidade precisa ser aproveitada. O acompanhamento nutricional ajuda a transformar essa oportunidade em mudanças sustentáveis.
O medicamento reduz a fome. Mas não ensina a cozinhar, não reorganiza a rotina, não melhora o sono, não reduz o estresse, não fortalece a relação com o próprio corpo nem resolve o comer emocional. Essas mudanças continuam dependendo de um cuidado ativo e de uma abordagem multidisciplinar.
É justamente por isso que o acompanhamento nutricional, psicológico e comportamental não é um complemento opcional: ele faz parte do tratamento. São essas intervenções que aumentam as chances de que os novos hábitos permaneçam mesmo quando a medicação for reduzida ou suspensa.
COMO ESSES MEDICAMENTOS PODEM MUDAR A NOSSA RELAÇÃO COM A COMIDA?
Do ponto de vista comportamental, essas medicações reduzem a desinibição alimentar, diminuem a reatividade ao ambiente alimentar e tornam as pessoas mais sensíveis aos sinais internos de fome e saciedade. Muitas relatam pensar menos em comida, sentir menos desejo por determinados alimentos e perceber uma redução importante dos episódios de comer em excesso.
Outro fenômeno frequentemente descrito é a diminuição do food noise - pensamentos alimentares persistentes, intrusivos, indesejados ou angustiantes relacionados à comida.
Embora ainda não compreendamos completamente os mecanismos envolvidos, para muitas pessoas essa redução representa uma sensação inédita de liberdade.
Esses benefícios são reais. Mas eles também trazem novos desafios.
Quando a comida deixa de ocupar um espaço tão central na vida, algumas pessoas precisam descobrir quem são sem ela.
Afinal, para muitos indivíduos, comer nunca foi apenas uma forma de obter combustível. A comida também funcionava como conforto, recompensa, distração, anestesia emocional, pertencimento, celebração ou companhia.
Quando essas mudanças ocorrem de forma relativamente rápida, pode surgir um novo dilema:
Como lidar com esse espaço que se abriu?
Esse é um dos momentos mais delicados do tratamento. Não basta retirar um mecanismo de enfrentamento de aflições e sofrimentos. É preciso ajudar a pessoa a construir outros.
A medicação pode reduzir a fome e silenciar o "ruído alimentar", mas ela não ensina novas formas de lidar com o estresse, a ansiedade, a solidão, a frustração ou a necessidade de conforto. Esse é um aprendizado que precisa ser construído ao longo do processo terapêutico.
É nesse momento que algumas pacientes relatam uma sensação de estranhamento. Algumas se sentem libertas. Outras experimentam um vazio difícil de nomear. Há quem perceba mudanças na própria identidade, nas relações sociais ou na maneira como lida com emoções que antes eram reguladas pela comida.
Emagrecer de forma medicamentosa não significa, necessariamente, reconstruir a relação com a comida. Tampouco significa desenvolver novas formas de lidar com o estresse, a solidão, a ansiedade ou a frustração.
Por isso, o acompanhamento psicológico e nutricional é parte essencial desse processo. Mais do que ajudar a perder peso, ele pode auxiliar a pessoa a compreender como essa nova relação com a comida está transformando sua vida e a construir outras formas de cuidado que não dependam exclusivamente da alimentação.
A avaliação psicológica deve ir além dos sintomas de ansiedade e depressão. Algumas perguntas podem ajudar a compreender como essa transformação está sendo vivida:
A pessoa se sente libertada, alienada ou angustiada pela redução da fome?
Ela pensa em comida com menos frequência ou sente falta dessa ocupação mental?
O medo de recuperar o peso tornou-se maior do que o receio dos efeitos colaterais?
Qual o papel da medicação na sua autoimagem e na sensação de controle sobre a alimentação?
O que aconteceria se precisasse interromper o tratamento?
Ela sente que depende da medicação para manter o peso perdido?
Como essa nova relação com a comida está impactando sua identidade, seus relacionamentos e sua qualidade de vida?
Essas perguntas mostram que o tratamento da obesidade não envolve apenas mudanças metabólicas. Ele também pode transformar a maneira como a pessoa se percebe, se relaciona com o próprio corpo e encontra conforto diante das dificuldades da vida.
Nâo por acaso, estudos tem demonstrado que o tratamento tem maior eficácia quando associado à Psicoterapia, Terapia cognitivo comportamental e Mindfulness.
ALGUMAS RECOMENDAÇÕES ALIMENTARES DURANTE O USO DE TERAPIAS BASEADAS EM INCRETINAS
Além de priorizar uma alimentação variada e nutricionalmente adequada, vale a pena aproveitar esse período para reconstruir uma relação saudável com a comida. Isso inclui aprender a cozinhar, planejar as refeições, comer com atenção plena, apreciar sabores, aromas e texturas e, sempre que possível, compartilhar as refeições com outras pessoas.
A comida não é apenas uma fonte de energia. Ela também pode ser um ritual cotidiano, uma forma de demonstrar afeto, um elemento de identidade cultural e um importante conector social. Preservar essas dimensões durante o tratamento ajuda a construir uma relação mais equilibrada com a alimentação, reduzindo o risco de que comer se torne apenas uma tarefa mecânica ou um cálculo de calorias.
As recomendações alimentares precisam ser individualizadas, levando em consideração o estado nutricional, a presença de efeitos digestivos, as preferências alimentares, a rotina, a prática de atividade física e as condições clínicas de cada pessoa. Por isso, não existe um único plano alimentar adequado para todos os usuários dessas medicações.
No consultório, utilizo este modelo para ajudar pacientes a construir refeições equilibradas e sustentáveis.

Se você está utilizando uma dessas medicações, pensa em iniciar o tratamento ou gostaria de receber um acompanhamento nutricional durante esse processo, será um prazer caminhar com você.
Para conhecer mais sobre o meu trabalho e agendar uma consulta acesse o link abaixo:
CONCLUSÃO
Embora eu não prescreva medicamentos para obesidade, acompanho pessoas que decidiram utilizá-los como parte do tratamento.
Percebo que, quando bem indicados e acompanhados, eles podem abrir uma valiosa janela de oportunidade: diminuir a fome, reduzir o "barulho alimentar" e criar espaço para mudanças que antes pareciam impossíveis.
Nessas consultas, o foco não está apenas na perda de peso, mas em preservar o estado nutricional, manejar os efeitos digestivos, proteger a massa muscular e aproveitar esse período para construir uma relação mais saudável com a comida e com o próprio corpo.
Os agonistas do receptor de GLP-1 representam um dos maiores avanços da medicina no tratamento da obesidade nas últimas décadas.
Eles ajudam muitas pessoas a perder peso, melhorar parâmetros metabólicos e interromper um ciclo de sofrimento.
Mas nenhuma medicação transforma, sozinha, a relação de uma pessoa com a comida e com o corpo.
Continua sendo necessário aprender a cozinhar, organizar a rotina, cultivar uma alimentação prazerosa, fortalecer vínculos, cuidar do sono, lidar com o estresse e construir novas formas de conforto que não dependam exclusivamente da comida.
Talvez a pergunta mais importante antes de iniciar esse tratamento não seja:
"Quanto peso eu vou perder?"
Mas sim:
"Que tipo de relação eu quero construir com meu corpo e com a comida durante e depois desse tratamento?"
Porque emagrecer pode mudar o corpo.
Mas saúde não se mede apenas pelo peso. Ela se revela na vitalidade, na autonomia, na capacidade de viver plenamente e de expressar o nosso potencial humano.
REFERÊNCIAS
Este artigo foi elaborado tendo como principal referência o consenso internacional "Nutritional, Functional, and Psychological Considerations for Incretin-Based Therapies in Adults", publicado em 2026 pela EASO, EFAD e ECPO, complementado por outros estudos relevantes e pela minha experiência clínica como nutricionista integrativa.
Wilding, J.P.H. et al. (2021). Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. NEJM. https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2032183
Rubino, D. et al. (2022). Effect of Continued Weekly Subcutaneous Semaglutide vs Placebo on Weight Loss Maintenance in Adults with Overweight or Obesity. JAMA. https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2777886
Ministério da Saúde / ANVISA – Notas técnicas sobre uso off-label de medicamentos
· Weight Regain After GLP-1-Based Therapy Discontinuation: Failure, Physiology, or Follow-Up Gap. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41909366/





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